gatos aquecem 2

17.11.06

Pra dizer algo sobre deslocamentos

En la parrilla, Oliveira empezó a tomar vino tinto y a comer chorizos y chinchulines. Como no hablaba gran cosa, Traveler le contó del circo y de como se había casado con Talita. Le hizo un resumen de la situación política y deportiva del país, deteniéndose especialmente en la grandeza y decadencia de Pascualito Pérez. Oliveira dijo que en París se habia cruzado con Fangio y que el chueco parecía dormido. A Traveler le empezó a dar hambre y pidió unas achuras. Le gustó que Oliveira aceptara con una sonrisa el primer cigarillo criollo y que lo fumara apreciativamente. Se internaron juntos en otro litro de tinto, y Traveler habló de su trabajo, de que no había perdido la esperanza de encontrar algo mejor, es decir con menos trabajo y más guita, todo el tiempo esperando que Oliveira le dijese alguna cosa, no sabia qué, un rumbo cualquiera que los afirmara en ese encuentro después de tanto tiempo.
– Bueno, contá algo – repuso.
– El tiempo – dijo Oliveira – era muy variable, pero de cuando en cuando había días buenos. Otra cosa: Como muy bien dijo César Bruto, si a Paris vas en octubre, no dejes de ver el Louvre. Que más? Ah, si, una vez llegué hasta Viena. Hay unos cafés fenomenales, com gordas que llevan el perro y al marido a comer strudel.
– Está bien, está bien – dijo Traveler-. No tenés ninguna obligación de hablar, si no te da la gana.
– Un día se me cayó un terrón de azúcar debajo de la mesa de un café. En Paris, no en Viena.
– Para hablar tanto de los cafés no valía la pena que cruzaras el charco.
– A un buen entendedor- dijo Oliveira, cortando con muchas precauciones una tira de chinchulines.


p. 294. Rayuela. Julio Cortázar. Meu novo alguma coisa.

5.9.06

Coisa mais estúpida da língua francesa é dizer bicicleta no masculino.
Depois de meses de discrição, minha vélo.
Eu e minha vélo.

O Grande
Fiquei feliz demais quando o Alessandro passou o link do blog dele, agora reativado. Já disse isso pra ele e repito. Cultura, política e assuntos brasileiros, tudo dando gosto de ler. Meninos inteligentes merecem ser ouvidos. Pra isso foram inventados a cerveja e a internet. Como só beberei Polar daqui a dois meses...
Notícias da Corte.


Radiohead + Morrissey + Beck


Também lembrei muito do Henrique, que é fã e foi quem me apresentou pra banda.

Antes deles, teve o show do Beck, que eu nunca pude conhecer pessoalmente. Na delícia de apresentação que ele fez, aprendi que eu era fã e nem sabia, porque não ligava várias músicas à banda. Aprendi também que ele passou boa parte da vida ouvindo só Mutantes, o que explica o bom-humor.

Tinha um teatro de marionetes no meio do palco, com bonecos idênticos a cada músico, inclusive na roupa. Além de imitar a banda enquanto eles tocavam, os bichinhos protagonizaram um vídeo que foi passado no final do show, sobre a estadia na França. Eles invadiam o set do Radiohead, quebravam tudo e bebiam todas, depois iam pro palco cantando “this is what you get... when you mess with us”.
Não tem graça contando assim.
E antes ainda, no dia anterior, o Morrissey foi o destaque. Ele é muito coitadinho. Dá vontade de subir no palco e dizer “pronto, pronto”. Seqüelado comme d’habitude, ele ficava batendo papo entre uma música e outra, mas papo de louco, até que a organização do show mandou ele apressar porque as pessoas iam perder o último metrô. Anotei algumas “intervenções”:
- And now, we are gonna play some musical songs that I hope you enjoy.
- They say Paris is the city of lovers. So, where is mine?
- Merci, Mercy, Morrissey… Merci, Mercy, Morrissey
- Sorry, I’m a bit slow today.
- When I went to Buffalo, I thought it would be funny to go up the stage and say “Ah, Paris…”. But the people there have so little sense of humor the other day the local paper wrote I didn’t even knew where I was.
- We’ve been told that we have to be very quick ‘cause the local police wants to go to bed.

Esse festival, o Rock en Seine, teve também de legal The Raconteurs, a banda nova do Jack White, Kasabian, que chegou como subsituto e fez um show cheio de pompa (e bom), Phoenix e Clap Your Hands Say Yeah (que eu perdi, de imbecil, e morri de raiva depois).

Instituição francesa do dia: LA RENTRÉE
"Ouais, c'est la rentrée... un truc très français", disse o Laurent empurrando o carrinho de bebê, indo buscar a filhinha mais velha no primeiro dia de aula.
Depois do verão em que os velhinhos não morreram porque choveu todo o mês de agosto, as aulas das escolas recomeçaram nesta semana, os carros voltaram pras ruas e os turistas não reinam mais absolutos.
Meu povo hospedeiro está de volta à sua cidade, deixando todas as características que não querem ver acopladas a Paris no saco de lembrança das férias. O calor exagerado, a alegria idiota do turista, a ausência de trabalho, a liberdade de não ler jornais, tudo isso lhes foi permitido enquanto estavam longe daqui e enquanto outros povos usavam esta cidade pra fazer o mesmo. Agora chega disso tudo.
Como o parisiense tem essa noção de tempo aos pedaços gordos (o que me agrada muito), la rentrée é o pequeno rito que traz todo mundo de volta para o conforto, a eficiência e o burbulho social dessa coisa maravilhosa que é a urbanidade.

[Final não-irônico].
P.S.: como se tudo no mundo precisasse de gancho, voltei a escrever, com este endereço novo.