5.9.06
O Grande

Fiquei feliz demais quando o Alessandro passou o link do blog dele, agora reativado. Já disse isso pra ele e repito. Cultura, política e assuntos brasileiros, tudo dando gosto de ler. Meninos inteligentes merecem ser ouvidos. Pra isso foram inventados a cerveja e a internet. Como só beberei Polar daqui a dois meses...
Notícias da Corte.

Radiohead + Morrissey + Beck
- Shows são uma fonte de prazer inesgotável, investirei sempre neles.
No fim de semana passado fui assistir ao meu amigo Gabriel Brust no retorno da sua banda, o Radiohead, depois de uma série de turbulências, dissipadas depois que o Gabriel resolveu lançar seu disco solo e tirar essa vontade da cabeça.
Apesar de ter de me acotovelar no meio de 30 mil pessoas e não participar da prived party de depois, as duas horas valeram muito a pena. Well done, Gabriel.
Ainda bem que acabei ficando ao lado de uma dupla de inglezinhas, o que me privou do sotaque francês cantando as músicas. Desta vez eles resolveram não terminar o bis com Creep, como vinham fazendo seguidamente nessa turnê, mas acho que foi uma boa escolha uma vez que o povo daqui não gosta de obviedades. O setlist já era essencialmente formado de hits, que foram tocados com vontade. - Airbag
- 2+2=5
- The National Anthem
- My Iron Lung
- Morning Bell
- Fake Plastic Trees
- Videotape * (nova)
- Nude * (nova)
- The Gloaming
- Paranoid Android
- All I Need * (nova)
- Pyramid Song
- Lucky
- The Bends
- I Might Be Wrong
- Idioteque
- Everything In Its Right Place
bis - You And Whose Army
- Bodysnatchers * (nova)
- There There
- Karma Police
Também lembrei muito do Henrique, que é fã e foi quem me apresentou pra banda.
Antes deles, teve o show do Beck, que eu nunca pude conhecer pessoalmente. Na delícia de apresentação que ele fez, aprendi que eu era fã e nem sabia, porque não ligava várias músicas à banda. Aprendi também que ele passou boa parte da vida ouvindo só Mutantes, o que explica o bom-humor.
Tinha um teatro de marionetes no meio do palco, com bonecos idênticos a cada músico, inclusive na roupa. Além de imitar a banda enquanto eles tocavam, os bichinhos protagonizaram um vídeo que foi passado no final do show, sobre a estadia na França. Eles invadiam o set do Radiohead, quebravam tudo e bebiam todas, depois iam pro palco cantando “this is what you get... when you mess with us”.
Não tem graça contando assim.
E antes ainda, no dia anterior, o Morrissey foi o destaque. Ele é muito coitadinho. Dá vontade de subir no palco e dizer “pronto, pronto”. Seqüelado comme d’habitude, ele ficava batendo papo entre uma música e outra, mas papo de louco, até que a organização do show mandou ele apressar porque as pessoas iam perder o último metrô. Anotei algumas “intervenções”:
- And now, we are gonna play some musical songs that I hope you enjoy.
- They say Paris is the city of lovers. So, where is mine?
- Merci, Mercy, Morrissey… Merci, Mercy, Morrissey
- Sorry, I’m a bit slow today.
- When I went to Buffalo, I thought it would be funny to go up the stage and say “Ah, Paris…”. But the people there have so little sense of humor the other day the local paper wrote I didn’t even knew where I was.
- We’ve been told that we have to be very quick ‘cause the local police wants to go to bed.
Esse festival, o Rock en Seine, teve também de legal The Raconteurs, a banda nova do Jack White, Kasabian, que chegou como subsituto e fez um show cheio de pompa (e bom), Phoenix e Clap Your Hands Say Yeah (que eu perdi, de imbecil, e morri de raiva depois).
Depois do verão em que os velhinhos não morreram porque choveu todo o mês de agosto, as aulas das escolas recomeçaram nesta semana, os carros voltaram pras ruas e os turistas não reinam mais absolutos.
Meu povo hospedeiro está de volta à sua cidade, deixando todas as características que não querem ver acopladas a Paris no saco de lembrança das férias. O calor exagerado, a alegria idiota do turista, a ausência de trabalho, a liberdade de não ler jornais, tudo isso lhes foi permitido enquanto estavam longe daqui e enquanto outros povos usavam esta cidade pra fazer o mesmo. Agora chega disso tudo.
Como o parisiense tem essa noção de tempo aos pedaços gordos (o que me agrada muito), la rentrée é o pequeno rito que traz todo mundo de volta para o conforto, a eficiência e o burbulho social dessa coisa maravilhosa que é a urbanidade.
[Final não-irônico].

